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A Mulher na Gastronomia: Preconceito, Desafios e a Força do Empreendedorismo

No mês dedicado às mulheres, quero abordar um tema que sempre me incomodou: a desigualdade profissional. Infelizmente, essa realidade está presente em diversas áreas, e a gastronomia não é exceção.

Ao longo da história, as mulheres sempre desempenharam um papel fundamental na cozinha — seja em suas casas, seja trabalhando como cozinheiras para outras famílias. No entanto, quando tentam ocupar espaços em cozinhas profissionais, são frequentemente desvalorizadas e desacreditadas. Já ouvi frases como "você não serve para isso" ou "os homens cozinham melhor" . Como assim, não servimos para isso?



A Cultura da Exclusão na Gastronomia

Ao tentar me inserir no mercado gastronômico, também fui confrontada com a cruel afirmação de que "cozinha de restaurante não é lugar para mulher" . Mas por quê? O que sustenta essa visão tão retrógrada?

Conversando com profissionais da área, percebi que um dos grandes desafios está no próprio ambiente das cozinhas profissionais. Um colega me confidenciou que, mesmo sendo homem, sentiu-se desconfortável devido à hostilidade do local: gritos, xingamentos e um clima de extrema pressão. Segundo ele, o problema não era apenas a presença feminina, mas sim um ambiente tóxico, inadequado para qualquer pessoa que prezasse pelo respeito e pela educação.

O Peso do Preconceito e a Desigualdade de Oportunidades

A resistência à contratação de mulheres na gastronomia vai além do ambiente hostil. Já ouvi justificativas absurdas, como:


"Não contrato mulheres porque engravidam."
"Mulheres devem ganhar menos porque tiram licença-maternidade."


Além disso, as disparidades salariais são alarmantes. De acordo com o Sebrae (2022) , as mulheres já representam a maioria dos Microempreendedores Individuais (MEIs) e alcançaram o maior nível de escolaridade da série histórica. No entanto, ainda recebe, em média, 16% a menos que os homens nas mesmas funções.

Empreender para Romper Barreiras

Diante desse cenário, muitas mulheres escolhem o empreendedorismo como caminho para conquistar independência e reconhecimento. Criar um próprio negócio não é apenas uma alternativa para escapar do preconceito, mas também uma forma de mostrar que a competência e a excelência na gastronomia não têm gênero.

O mais curioso é que uma cozinha verdadeiramente profissional não deveria ser um ambiente hostil. Profissionalismo não se mede pelo tom de voz, pelo gênero ou por quem resiste mais à pressão, mas sim pelo respeito, pelo conhecimento e pela paixão pelo que se faz.

É hora de transformar a gastronomia em um espaço mais justo, acolhedor e, acima de tudo, profissional de verdade. 💪👩‍🍳

Dija Ramos
Gastrologa

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